Trabalhando com a reciclagem, Kelly Faustino voltou a sonhar
A associada da ASCAM já passou por muitas despedidas e encontrou sua força na Cooperbau.
Todos dizem que ela já sofreu muito na vida, mais do que a maioria das pessoas. Vítima de um passado recheado de fantasmas, Kelly Caetano Faustino, de 39 anos, ainda tem aprendido a lidar com o mundo e seus infortúnios. Nesse processo, descobriu a reciclagem como uma ferramenta de empoderamento, responsável por torná-la cada dia mais consciente e responsável.
Kelly é bauruense, criada no bairro do Alto Paraíso. Nascida em família humilde, filha de um carpinteiro e de uma babá, deixou de estudar aos 12 anos para viver com um rapaz por quem havia se apaixonado, com quem esteve por pouco mais de uma década e teve três filhos.
Quando o relacionamento terminou, ela voltou com as crianças para a casa da família e passou a ajudar o pai na carpintaria, construída no andar de baixo do sobrado onde viviam. Pouco tempo depois, com a morte do pai, a associada da ASCAM se casou outra vez e teve mais três filhos, mas o segundo casamento também não funcionou. “Acabou o amor”, justifica.
Separada novamente, com seis filhos para criar e nenhuma fonte de renda, Kelly voltou mais uma vez ao sobrado para cuidar da mãe, Iranete Caetano Faustino, que havia sido diagnosticada com a doença hereditária e degenerativa de Huntington. Eram, então, oito pessoas sobrevivendo mensalmente com o dinheiro de apenas uma aposentadoria, e assim seguiram até o falecimento de Iranete, em abril de 2019.
Em agosto do mesmo ano, após quatro meses de desemprego, Kelly conseguiu uma entrevista na Cooperbau (Cooperativa de Recicladores de Resíduos de Bauru) e começou a trabalhar logo no dia seguinte. Ainda não entendia dos processos da reciclagem, mas aprendeu com rapidez e gratidão o que os outros cooperados tinham para ensinar. Dividindo seu tempo entre a cooperativa e um dos Ecopontos, hoje ela fala sobre os avanços de sua vida e da própria empresa onde trabalha.
“A chegada dos Ecopontos só trouxe coisa boa. A gente recebe mais material para trabalhar e não recebemos tantos materiais perigosos. Vidro quebrado, restos de animais… Às vezes ainda recebemos, mas muito menos do que antes. E hoje em dia a gente tem até cesta básica”, comenta.
Com o tempo, Kelly aprendeu a sonhar de novo e, hoje em dia, deseja se mudar para uma casa melhor e comprar um carro. São sonhos possíveis, que se aproximam cada vez mais de sua realidade.