Aline Gonçalves Lopes

A reciclagem ajudou Aline Gonçalves a se recuperar

Associada da ASCAM perdeu o foco após um grave acidente de moto e se reencontrou na Cooperbau

Até então, ela achava que não tinha uma história para contar. Aline Gonçalves Lopes, de 29 anos, chegou à Cooperbau (Cooperativa de Recicladores de Resíduos de Bauru) por acaso, após um susto dado pela vida. Ainda assim, ali se redescobriu, cresceu, e fez da reciclagem um objetivo.
Nascida em Bauru, Aline cresceu junto da família no bairro do Santa Cândida. Teve uma infância comum e diz que sempre preferiu o trabalho aos estudos. Dessa forma, terminou o Ensino Médio a contragosto, descartou a ideia da faculdade e se mudou para Campinas, onde encontrou emprego como motorista em uma empresa de fotografia.
Alguns anos depois, por conta de situações que a desagradavam, Aline pediu demissão e, de volta a Bauru, passou a ajudar o irmão em sua oficina mecânica. A ideia inicial era voltar à frente do volante, mas um acidente de moto inviabilizou essa expectativa. Mesmo após o período de recuperação, as dores no joelho causadas por um grave ferimento deixaram-na à deriva.
Desempregada, ela soube da vaga na Cooperbau por meio de uma amiga. Foi chamada dois dias depois da entrevista, e, tal como a maioria dos cooperados, engrenou em um processo de aprendizagem sobre a separação e a qualidade dos materiais. Aos poucos, tomou gosto pela reciclagem e pelas causas sociais e ambientais que a envolvem. “Antes, eu só sabia o que era a garrafa PET. Agora, o básico que aprendi, tento passar para o próximo. As pessoas precisam aprender sobre o valor da reciclagem e sobre as famílias que dependem disso”, afirma.
Em 2020, 9 anos depois, a associada da ASCAM divide seu tempo entre as prensas e os serviços gerais, que sempre demandam algum auxílio. Além de ser braço direito da presidente da cooperativa, Silvia Aparecida Martarelli Ferreira, 40 anos, é uma das encarregadas pelo barracão, e transformou este em seu novo plano a longo prazo.
Todos os dias, ao acordar, Aline se lembra de um conselho que recebeu da mãe aos 18 anos, de que precisaria ser forte para aguentar as consequências do mundo lá fora. Graças ao empoderamento promovido pela reciclagem, ela se vê cada dia mais firme, sempre pronta a se adaptar e a lutar novamente.