Bruna Fernandes Diniz

Bruna Diniz encontrou estabilidade na reciclagem

A associada da ASCAM já ficou desabrigada 4 vezes e hoje em dia se considera uma vencedora

Aonde quer que se esteja no barracão da Coopeco (Cooperativa Ecologicamente Correta de Materiais Recicláveis de Bauru), é possível perceber a presença de Bruna Fernandes Diniz, de 29 anos. Determinada, ela sabe se fazer ouvida e não tenta esconder suas fraquezas, as cicatrizes que a vida lhe deixou.

Nascida em Bauru e criada no Ferradura Mirim, Bruna confessa ter tido uma infância comum, mas uma adolescência complicada. Não terminou a 7ª série, iniciou a vida sexual muito cedo e era usuária de drogas. Aos 18 anos, consciente de que sua vida não seguia pela direção correta, passou a fazer bicos como faxineira e camareira em hotéis. Logo encontrou emprego fixo no mesmo buffet onde veio a conhecer o marido, Danilo Costa Ferreira de Almeida, 28 anos.

Com poucos meses de namoro, os dois resolveram morar juntos em uma casa alugada pelo pai de Danilo e, ao mesmo tempo, deram início à construção de um barraco em uma área ocupada da cidade. Bruna engravidou, os dois estavam felizes e tudo ia bem até o locatário pedir a casa de volta, obrigando-os a alugar, às pressas, uma moradia que tampouco tinham dinheiro para pagar, e que sofreu um alagamento pouco tempo depois. “Sabe o que é perder tudo? Nós perdemos tudo”, diz Bruna.

O casal, então, uniu forças e terminou de construir a pequena propriedade na ocupação em apenas 10 dias. Mudaram-se ainda com a terra batida no chão. Bruna teve seu filho e, quando as coisas começavam a se encaminhar novamente, a área ocupada em que viviam foi derrubada por decisão judicial e Danilo acabou sendo preso no mesmo período.

Sozinha, com um filho pequeno para criar, ela voltou a trabalhar como diarista. “Às vezes eu só comia arroz, para comprar leite e fralda para ele”, comenta.

Quando Danilo saiu da prisão, dez meses depois, foi imediatamente até a Coopeco em busca de emprego. A presidente, Gisele Moretti, 52 anos, era sua colega da Congregação Cristã do Brasil e mãe de uma das amigas de infância de Bruna, que também não tardou muito a entrar para a cooperativa.

Desde então, 3 anos se passaram. Danilo arranjou outro emprego e Bruna continuou no barracão, de onde virou encarregada. Aprendeu tudo o que poderia sobre a reciclagem e agora tem aprendido sobre a gerência. Encontrou ali seu recomeço, sua emancipação. “Eu ainda não tenho tudo o que eu quero, mas me considero uma vencedora, porque eu já chorei muito”, declara. Hoje em dia, Bruna só pensa em evoluir. Conhece bem sua função, a rotina e os processos da cooperativa e não tem medo de falar o que pensa e fazer reivindicações. Foi desse jeito que ela aprendeu, com a vida, a nunca mais se desviar de seu caminho.