Jacqueline Madureira Roja Rufino

Jacqueline Rufino doou a vida para a reciclagem

Protetora dos animais, a associada da ASCAM começou coletando resíduos recicláveis com a mãe aos 9 anos de idade

Se apurar bem os ouvidos, é possível ouvir um assovio na cozinha improvisada do barracão da Coopeco (Cooperativa Ecologicamente Correta de Materiais Recicláveis de Bauru). Às vezes é uma música sendo cantarolada ou um diálogo com algum dos animais que residem ali. É para Lilica e Pirata, para os gatos e macacos que a associada da ASCAM Jacqueline Madureira Roja Rufino, de 50 anos, conta sua história.

Jacqueline é bauruense, nascida e criada na Vila Engler. Estudou até a 4ª série e, aos 9 anos, começou a catar recicláveis com a mãe, Maria Inês Madureira Rocha, 79 anos. Foi uma longa jornada de 25 anos, recolhendo resíduos das 14h às 7h, 7 dias na semana. Aproximadamente 9.125 dias e 155 mil horas nas ruas. Quando deixou essa jornada, foi para cuidar dos filhos e trabalhar no comércio local.

Há 3 anos, decidiu voltar para o mundo da reciclagem, dessa vez trabalhando para a Coopeco. Começou na esteira, fazendo a triagem, e logo passou para a limpeza do cobre e separação de metais, desmanchando eletrônicos e eletrodomésticos. Uma espécie de artesanato ao contrário que ela performa em seu próprio jardim de sucata.

“Eu gosto de trabalhar aqui. Eu faço uma coisa tanto para a gente quanto para a criação de Deus, a natureza. Nós temos que fazer tudo direitinho”, diz Jacqueline.

Além de protetora dos animais, Jacqueline é, para a colega Bruna Fernandes Diniz, de 28 anos, uma grande professora. “É maravilhoso trabalhar com ela. Jacqueline ensina muitas coisas pra gente”, relata.

Jacqueline também gosta de ressaltar o orgulho em relação ao marido o aos filhos, que trabalham fazendo portões no fundo da casa que eles construíram juntos na Rua Cícero Bispo de Souza, no Jardim Olímpio.

Questionada sobre a importância de seu trabalho, Jacqueline diz não conseguir imaginar o que seria do mundo sem ele. Para ela, que não fala muito, mas tem a voz refletida nos olhos, a população deve se conscientizar sobre suas atitudes. “Menos crueldade com os bichos, mais amor na natureza, nas árvores… O que seria de nós sem as árvores? Elas purificam o ar”, ensina.

Na condição de prestadora de serviços para a sociedade, Jacqueline Rufino trabalha em silêncio de protesto.