Luiz André Soares de Oliveira

Por meio da reciclagem, André se conscientizou sobre problema sociais

Associado da ASCAM aprendeu com os próprios erros e ganhou uma nova oportunidade na Coopeco

Ele às vezes se pergunta o que seria do mundo se todos deixassem de acreditar na mudança dos seres humanos. Se fosse pelo julgamento moral da população, Luiz André Soares de Oliveira, de 34 anos, poucas chances teria de deixar sua antiga vida para trabalhar e se reconstruir, mas foi na reciclagem, fonte de acolhimento e aprendizado, que ele encontrou sua redenção.

André é bauruense, criado no bairro do Jardim Redentor. Deixou de estudar aos 12 anos para ajudar a mãe com as despesas da casa e começou a trabalhar como vaqueiro em uma fazenda. Na época, também foi gesseiro, coveiro e lavrador, cuidando do cultivo de batatas e melancias, e assim seguiu até a morte do padrasto, em 1996, importante figura paterna em sua vida.

Mais tarde, o trauma dessa perda se uniu à desilusão causada por uma traição familiar e produziu uma combinação traumática que o desviou de seu caminho. Em tempos definidos por ele próprio como sombrios, André começou a usar drogas e a roubar para sustentar seus vícios. “Eu estava seco, no fundo do poço”, comenta.

Desempregado, sem qualquer perspectiva de futuro, André se internou em uma clínica de reabilitação e deu início a um tratamento que durou cerca 6 meses. Ao final, já não era mais usuário, mas ainda traficava para pagar as contas da casa, atividade que o levou à prisão por dois anos em regime fechado. Após deixar a penitenciária, chegou à Coopeco e foi recebido de braços abertos pelos colegas.

Na reciclagem, o associado da ASCAM redescobriu seu valor e suas capacidades. Aprendeu a reconhecer, separar e valorizar cada material descartado que passa pela esteira e, através dessa experiência, tornou-se um cidadão mais consciente, capaz de entender os problemas sociais que o cercam.

Hoje em dia, entre suas principais preocupações estão os maus-tratos a que são submetidos os moradores de rua e dependentes químicos. Ele diz que, se tivesse muito dinheiro, compraria um grande pedaço de terra para construir casas e abrigar essas pessoas. Sendo ele próprio um exemplo de queda, espera ajudar os outros a se levantar, utilizando como base a experiência transformadora da reciclagem.