Marta Gonçalves Duarte

Nas mãos de Marta, reciclagem é sinônimo de cuidado e atenção

Feliz por atuar na Cooperbau, associada da Ascam afirma que trabalho com resíduos lhe garante alegria e dignidade

A timidez quase a impede de contar sua história. Marta Gonçalves Duarte, de 50 anos, encarregada da esteira de triagem da Cooperbau (Cooperativa de Recicladores de Resíduos de Bauru), está sempre com um dos fones no ouvido e os dois olhos bem atentos nos materiais que estão circulando por ali. Tudo deve ser selecionado e separado com cuidado e atenção, virtudes que ela própria aperfeiçoou quando começou a trabalhar.
Embora muito afeiçoada ao trabalho, Marta, nascida em Bauru em 1970, criada no bairro do Alto Paraíso, nunca se interessou muito pelos estudos. Abandonou a escola ainda cedo, pouco antes de concluir a 4ª série, e passou os dez anos seguintes ajudando a mãe no cuidado da casa e do irmão mais novo. Quando se mudou, em 1989, foi para viver junto do primeiro marido, com quem teve seus 3 filhos.
Após o fim do casamento, ela teve de abandonar o posto fixo de dona de casa para se tornar diarista e sustentar, sozinha, a casa e as crianças. Nos anos seguintes, casou-se mais três vezes e, por meio do atual marido, em 2016, ela e o filho mais velho chegaram até a Cooperbau.
No início, Marta não conhecia o funcionamento de uma cooperativa de reciclagem e tampouco sabia sobre a separação de resíduos, mas foram assuntos que dominou em pouco mais de um mês de aprendizagem “Se você tem interesse, você aprende rápido”, comenta. Hoje, quatro anos depois, ela percebe que abraçou com convicção essa causa e só pretende sair da cooperativa para se aposentar e descansar.
Enquanto esses tempos não chegam, ela segue trabalhando e planejando seus futuros momentos de lazer. O churrasco aos domingos é apenas o prelúdio do que está por vir e a recompensa pelos anos de serviço prestado.