Niltinho tem orgulho de trabalhar com reciclagem
Da colheita de café ao serviço com resíduos, ele se orgulha em contribuir para uma cidade mais limpa.
É difícil vê-lo falando durante o horário de trabalho, mas, nos momentos livres, do almoço ou do café da tarde, sempre é possível observar seu banquinho chegando cada vez mais perto, em busca de uma boa conversa. Se alguém der corda, Nilton Benedito Gobbe, de 67 anos, tem muito a dizer sobre suas histórias como catador.
Niltinho, como é chamado pelos colegas da Coopeco (Cooperativa Ecologicamente Correta de Materiais Recicláveis de Bauru), nasceu em Reginópolis, em 1953.
Começou a trabalhar logo cedo, ajudando o pai na colheita do café. Pouco depois, se tornou boia-fria, ofício que desempenhou até os 26 anos, quando se mudou para Bauru em busca de novas oportunidades.
No município, Nilton começou como servente de pedreiro, mas não tardou a se apaixonar pela coleta de resíduos orgânicos e trocar de emprego. Foram 35 anos percorrendo a cidade, no sobe e desce do caminhão de lixo. Quando se aposentou, chegou a pedir para continuar, mas, por conta da idade avançada, não o deixaram.
A contragosto, passou um ano parado até encontrar uma ocupação menos pesada e mais adequada à sua idade, dessa vez na coleta de recicláveis da Coopeco, onde já está há quatro anos. “Eu não tenho mais a força de quando era jovem, mas também não tenho dor, não. Eu me aposentei como catador. Tenho orgulho do que eu faço e não pretendo deixar de fazer.”
O associado da ASCAM ressalta como se diverte trabalhando com os companheiros da cooperativa, que costumam chamá-lo de galanteador. Uma de suas melhores amigas ali é Jaqueline Madureira Rosa Rufino, de 50 anos, que discorda dessa afirmação. “Ele é uma pessoa muito boa, muito trabalhadora. Trabalha mais que muitos jovens por aí. Ele é como um pai pra mim”, afirma.
Para alguém como Niltinho, que estudou apenas até a 2ª série e se formou na coleta de resíduos, a profissão já virou dever. Manter a cidade limpa, seja no caminhão ou no barracão, na coleta de orgânicos ou recicláveis, é o que estrutura sua vida e enche seus pequenos olhos castanhos de vida. Além de um dedinho de prosa, claro.