Zilda Cristina Custódio

Na Coopeco, Zilda Cristina Custódio aprendeu a administrar sua liberdade

A associada da ASCAM já trabalhou nas indústrias de calçado e tabaco, mas se afeiçoou à reciclagem

Seja no turno da manhã ou da tarde, a primeira coisa que ela faz quando chega ao barracão da Coopeco (Cooperativa Ecologicamente Correta de Materiais Recicláveis de Bauru) é preparar o café, pelo qual todos os cooperados esperam. Zilda Cristina Custódio, de 47 anos, gosta da bebida bem doce, e não se importa quando dizem que ela supostamente deveria ser amarga. De amargor a vida dela já esteve cheia.
Zilda Cristina nasceu em Jaú, em 1973, e atravessou uma infância difícil. Ficou órfã de mãe aos 5 anos e teve de ver o pai sustentar sozinho os seis irmãos do primeiro casamento. Aos 15, para ajudá-lo, começou a trabalhar na indústria do calçado, onde ficou por muitos anos até entrar em uma fábrica de tabaco. Só parou de trabalhar em 2011, quando decidiu se dedicar à maternidade.
Nesse mesmo período, Zilda se mudou para Bauru, separou-se do marido e, tal como o pai, também foi deixada sob a responsabilidade de criar, sozinha, seus três filhos. Por conta disso, teve de voltar a trabalhar e encontrou uma oportunidade na Coopeco, onde foi recebida de braços abertos pelos cooperados, que se tornaram membros da família.
Zilda diz que seu maior orgulho foi ter conseguido criar os filhos, e que a melhor parte de sua rotina é o trabalho. O ecossistema da reciclagem, além de ser importante para a sociedade, também é a forma por meio da qual ela se acalma e distrai. “Se eu pudesse, passaria dia e noite aqui. É o lugar onde me sinto melhor.”
Hoje, Zilda passa a maior parte do tempo sorrindo, de modo a transmitir aos outros a alegria que ela própria descobriu depois de tantas adversidades.