COM EPIDEMIA, BAURUENSES APROVEITAM PARA FAZER FAXINA E LEVAR RECICLÁVEIS AOS ECOPONTOS

O maior tempo em casa, em razão da pandemia de Covid-19, tem motivado bauruenses a cuidar mais de suas residências e quintais e a realizar faxinas. O resultado disso tem sido percebido nos Ecopontos da cidade, que têm recebido muitos móveis, colchões e eletrodomésticos inservíveis, bem como itens recicláveis.

Esse movimento de organização e limpeza, incentivado por personal organizers e psicólogos, favorece a higiene doméstica e da comunidade – importante neste momento – e auxilia no equilíbrio das emoções, o que impacta positivamente sobre o humor e a produtividade.

Além dos benefícios à saúde física e emocional, reciclar cria um ciclo virtuoso em prol de pessoas que têm na reciclagem sua fonte de renda, caso dos catadores de materiais recicláveis atuantes nos Ecopontos.

“A renda com a reciclagem me ajuda muito, pois posso andar de cabeça erguida para todo lado que eu for. Quando não estava trabalhando, andava muito triste pensando nas contas, em como ajudar minha mãe, a minha família, mas agora, trabalhando aqui, eu posso ajudá-las, ter meus objetivos, conquistar as minhas coisas”, afirma o catador de recicláveis Duan Soares de Oliveira, 25 anos, associado à Ascam (Leia todos os depoimentos abaixo).

No município, 68 pessoas associadas à Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Bauru e região (Ascam) atuam nos oito ecopontos da cidade. A renda mensal está diretamente relacionada à quantidade de materiais encaminhados pela comunidade, que depois são triados e vendidos para indústrias de reciclagem.

“O processo de reciclagem é um serviço essencial, pois, além de uma questão de sanidade ambiental, tem grande importância social. Sob esse ponto de vista, é importante lembrar que o descarte de recicláveis nos Ecopontos têm impacto sobre centenas de vidas, dos catadores de recicláveis e de suas famílias, que fazem desse trabalho seu ganha-pão”, afirma Gisele Moretti, presidente da Ascam.

Esse é o caso de Bruna Fernandes Diniz, 28 anos, que é catadora de recicláveis cooperada à Coopeco há dois anos. “A reciclagem é meu ganha-pão, pra mim e para minha família. É aqui que eu consegui comprar as minhas coisas, como comida e leite para o meu filho. Depois que entrei aqui, há dois anos, minha autoestima mudou muito porque aqui a gente aprende a viver, aprende a um ajudar ao outro. Eu fico muito feliz em saber que a gente pode ajudar todo mundo e o meio ambiente”, afirma.

Como indica Bruna, devolver recicláveis à cadeia produtiva significa, ainda, reduzir o consumo de bens naturais, como a água, e diminuir o impacto de lixo sobre o solo e o ar por meio. Outra vantagem é evitar o acúmulo de resíduos em terrenos, para que não se tornem criadores de insetos, como o Aedes aegypti, animais peçonhentos e ratos.

“Convidamos os bauruenses a transformar o período de isolamento em um movimento pela preservação do meio ambiente, do cuidado à saúde e da geração de rendas para inúmeras famílias”, comenta o biólogo Dorival Coral, membro da equipe técnica da Ascam.

E como começar? O primeiro passo é separar itens inservíveis em casa e recicláveis como papel, papelão, plástico, vidro e metais. Depois, se possível, limpar o material separado e acondicioná-lo em caixas e sacolas.

Depois, no momento oportuno, o reciclável pode ser encaminhado a um dos Ecopontos, considerados serviços essenciais à sanidade municipal e que mantêm atendimento de segunda a sábado, das 7h às 19h, e aos domingos, das 8h às 16h. Lá, basta seguir as orientações dos catadores, que foram treinados para atender os munícipes seguindo as recomendações das autoridades de saúde.

Mais informações sobre reciclagem em www.ascam.org.br.

DEPOIMENTOS

“A importância pra mim de trabalhar com reciclagem é muito grande, significante, pois torna a gente uma família. Como eu sou sozinha, eu amo trabalhar na cooperativa. As pessoas tratam a gente bem, entendeu? Se eu ficar sem trabalhar aqui, eu fico doente. Tem união. A questão da renda me ajuda bastante. Estou satisfeita com o que eu estou ganhando aqui, graças a Deus. Não tem que reclamar nada daqui. Minha autoestima aumentou muito! Quem trabalha tem mais autoestima, é muito significante.”

Erení Bráz Siqueira, 50 anos, catadora de recicláveis associada à Ascam

“Eu gosto de trabalhar aqui pra mim, eu me sinto bem porque todo mundo aqui é igual. Pra mim é um lugar gostoso de trabalhar, sou feliz aqui. A renda ajuda muito, passear, comprar as minhas coisinhas e se tiver um ‘aumentinho’ melhor ainda. Por estar trabalhando, a minha autoestima aumentou.”

Zilda Cristina Custódio, 50 anos, catadora de recicláveis associada à Ascam

“Eu acho a cooperativa um lugar bom de trabalhar, é uma área que eu gosto, né? Eu já tenho experiência porque trabalhei bastante tempo nisso. A renda me ajuda muito. Pelo menos posso andar de cabeça erguida para todo lado que eu for, é uma renda boa, né? Eu fiquei muito feliz quando eu comecei a trabalhar com reciclagem. Quando eu não estava trabalhando, andava muito triste pensando nas contas, em como ajudar minha mãe, a minha família, mas agora, trabalhando aqui, eu posso ajudar elas, posso ter meus objetivos, conquistar as minhas coisas. Eu acho que uma cooperativa é boa por causa que pelo menos os outros não jogam lixo na rua, não tem lixo espalhado, não fica muita “mosquiteira” no meio da rua, que traz de volta as doenças para o pessoal.”

Duan Soares de Oliveira, 25 anos, catador de recicláveis associado à Ascam

“A importância da reciclagem na minha vida é que é meu ganha-pão, pra mim e para minha família. É a minha fonte de renda. É aqui que eu consegui comprar as minhas coisas, comprar comida, comprar leite para meu filho e eu que sou muito feliz aqui. Tenho amigos, nos tornamos uma família. Depois que entrei aqui, há dois anos, minha autoestima mudou muito porque aqui a gente aprende a viver, aprende a um ajudar ao outro. Eu fico muito feliz em saber que a gente pode ajudar todo mundo e o meio ambiente.”

Bruna Fernandes Diniz, 28 anos, catadora de recicláveis associada à Ascam

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